Madrugada.

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Há um tempo o tempo brinca de tempo comigo.

Ensaios contados, disfarço um sorriso e acho que um dia cairão dos céus explicações dessa vida sem horas.

Talvez nem em mil anos… que tempo infinito!

 

De tempos em tempos o tempo brinca de ser sério comigo.

Aflora-se aflito e eu? Dou mais uma chance.  O tempo  permite  enganar-se mais de uma vez.

Do tempo que o tempo se dá ao tempo:  -”queria ter pernas de antílope e punhos de aço, mãe!”

Uma pena… aos 15 anos esqueci-me dessa frase em um descompasso rebelde.

Tentei espalhar aos quatro cantos ser mero dissabor, mas… ir embora sem aviso tem charme maior.

 

Dei tempo ao tempo para fazer tempo em todo o tempo do mundo.

Ansiosa a espera fez a vida ser menos amarga, só que  o doce acabou.

 

E agora?

 

Ora, deixe o tempo passar por aqui quantas vezes quiser!

Vou ficar de pé e manter a caminhada com a mesma poeria no rosto

do vento em tempos

e até.

 

Nada Será Como antes

Au revoir.

Leli.

indeed.

Tela: Marc Chagall

 

Sometimes I wish I could stop my brain but sometimes I’m sure that it’s not possible.

Seems like It lives for itself

wondering, flooting, flying…as a Chagall’s painting.

 

I wish I could get back to my 6 years old life and maybe run without flipflops through my grandma’s garden again

without excuses, only hearing sounds of birds

nothing more at all.

 

*

A few days ago I bought a bicycle from a stranger that said me ‘hi’.

Dreaming to ‘faire du velô’ among the ways of the world I looked ahead and puted a pair of headphones on

just feeling the fresh breeze on my face as a nice song could caress me softly

As in the land of Oz where I finally found something ‘somewhere over the rainbown’.

 

I feel like Doroty in a forest beneath giants trees that swallow me down to the shadows.

 

My books have a different language to others, I know. That’s why I must read some of them so many times again

Words escape from my thoughts and toughts  stay to tell me secrets that I should never talk about

But silence has meanings that can explain more than ever.

 

Anyway my world of dreams don’t have rules

I can run off anytime for a real life even when I don’t want to wake up.

 

*

Only cowards run away from your own fantasies.

But only courageous people will stay and still remember that real life keeps turning outside.

 

Spread your shinning around cause sometime it will come back to you

and get shinhing again for someone else…

 

.*

 

Nada será como antes

 ’indeed’.

*Leli


Afternoon.

Ao som do vento me ouvia cantar em partes por dentro.

E se aqueles cabelos tivessem voz, eles se afinariam com notas de liberdade

que a melodia pelos ares trazia à mim

 

De partes eufóricas

no fundo

mesmo a melodia mais cortante

só ouviria pássaros em tom de borboletas

 

E se aqueles braços tivessem um nome, eles seriam “nó-sem-fim”

daqueles que não se desatam por si e ainda assim permanecem livres

 

Uma voz leve vinha-me suave em forma de conforto

e descobri que na verdade aquilo tinha um outro nome:

era a tal Felicidade

 

Naquelas mãos eu poderia saber que em um mundo de ‘sós’ nem sempre se é sozinho

e naqueles abraços foi onde me perdi de vez…

 

Nunca fui mesmo de remar contra a maré

por quanto longe o mar me leve

para ainda perto de quem traz os presentes mais lindos

em formas de sorrisos de um amar mais doce  que a própria imaginação.

 

(…)

Eu poderia correr naquelas areias como se não houvesse final…

Mas é que no fundo não há mesmo.  :)

 

Nada será como antes

“..maybe on a moody monday or on a sunny sunday afternoon…”

*Leli 

 

L’Adieu

Photograohy by: Dennis strock

 

Je ne compte pas les années qui viennent
Je sais que maintenant je suis quelqu’un,
Je suis un ciel parfois nuageux,

 
J’ai pris tous tes mots, j’ai tout effacé
J’ai pris ton visage, je l’ai déchiré.

 
Je vend des étoiles, je bois la lune,
Je peins la vie au hasard,
Et des amoureux dans la rue.

 
La fète c’est fini, mon amour

Bonsoir.

 

Nada será como antes

C’est moi.

*Leli

Fly.

Fotografia: Janine niepce

 

Tua alma é leve

aguenta a minha?

Só sei falar para o que faço

disfarço

não sei dançar…

Mas sei sorrir, se você quiser.

Nada será como antes

suave.

*Leli

Slave

Escravo

das próprias vontades

confie na sorte

de forma feroz.

 

Sorria

e deixe mais um passar.

O guia

da vida afoita

são olhos negros

que não conseguem olhar.

 

Escravo

dos atos

do pai

da mãe

das bordas

da vida

do vinho

da noite sã.

 

Escravo

do medo

da fraqueza

do cansaço

só me traga verdades

 

abra os braços

e liberte-se…

 

abro a noite

para você dormir

do início ao fim

 

Liberte-se.

 

abra os braços

escravo

da vida

 

saia do lugar

ao menos uma vez

saia do lugar

de vez

 

You’re a freedom’s Slave.

 

Nada será como antes

Resistance and sacrifice.

*Leli

The doors are open.

Fotografia: Steve McCurry

 

As portas abertas

ao cheiro da rua.

 

Sempre quis sair,

mas com medo de voltar.

 

Quero cansar sandálias que me movam

rumo ao fundo do “muito”.

 

Cansei de ter nada.

Cansei de ser tudo.

 

Quero voar como o som

daqueles pássaros cantantes

me agarrar em suas asas

até sorrir sem sentir dor

 

Quero uma cena de cinema

que jamais fale de amor

 

Que muitas noites do doce inverno

finjam ser feitas de calor

 

quero uma flor

de passarinhos

sem ninhos

de muita cor

 

quero presentes

para compensar

a porta aberta

quando saí para não voltar

 

chinelo em punho

a mãe que chora

pelo menino

que não vai voltar

 

 

não vou voltar

já fui criado

 

só quero ser feliz para sempre.

 

Nada será como antes

Deixei as chaves embaixo do tapete…

*Leli

 

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