Reflexões ao léu.

Woody Allen film

E em um fim de domingo chuvoso, despenquei-me até o Odeon na companhia de minha melhor amiga para conferir uma das estréias mais badaladas do Festival do Rio 2010. Entre o desfile de globais dentro do cinema, até velhos rabugentos reclamando do barulho das pipocas, o roteiro já esperado de mais um filme de Woody Allen.

Fato que não vou exatamente fazer nenhuma resenha sobre o filme, até porque a história me fez recordar de tantos outros filmes que tenho assistido. O foco não é mais uma trama famosa do woody, mas sim como as histórias de fracassos amorosos se repetem, na vida e na ficção.

Um outro longa italiano que assisti nessa semana me fez rever os conceitos e olhar para o meu umbigo. A cena final de “Que mais posso querer” me fez enxergar meu lugar no de “Anna”, a protagonista que se revela aos poucos durante a trama ao passar por uma situação bem familiar de todos nós… os atos causados pelos impulsos do “maldito músculo involuntário”. De fato, gostaria de ter feito como ela fez, na mais total frieza (sem detalhes, para não contar nada sobre o filme…).

E as histórias se repetem. Paixões que começam muito loucas, que são lindas, que engatam, que viram rotina, que caem em decadência e tem o mesmo fim… o fim. Muitas vezes de mágoas, de traições… de tristezas.

Assusta-me como as relações se tornaram volúveis, mutáveis, egoístas, descartáveis. As pessoas, especificamente.

Egoístas.

Porque ninguém mais vive se não for somente em função de si mesmo.

A solidão parece ruim. Mas talvez seja pior o entregar sem medidas, no qual você vai perder tudo num piscar de olhos, porque sempre tem o mesmo fim daquele infeliz que vai levar tudo embora. Ou daquela.

Já me levaram tudo. Já levei tudo de alguém um dia também…

Queria ser como a Anna e “largar os brincos” no metrô sem dó nem piedade, sem sequer permitir que uma lágrima caísse.

Assim, egoísta.

Uma pena que esse coração não aprenda nunca.

O maldito prefere viver em “coma” com traumas das cabeçadas do que se tornar apenas mais um egoísta na multidão.

Vou comprar um capacete e tá tudo certo.

Nada será como antes.

Tudo por causa da cena da camisa xadrez decadente aberta pela rua…

*Leli

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Candé Costa
    nov 01, 2010 @ 01:15:21

    Grande post…

    (resolvi não comentar a homenagem ao seu pai pois achei muito pessoal…)

    Essa personagem é conceitual, não real. Não é humana, é quase metafísica.

    Se o tão falado equilíbrio (do qual ando questionando com frequência ultimamente) for válido, alcançá-lo é praticamente impossível. Se possível, é apenas nas seleções da memória onde julgamos com rigidez e crueldade cada ato, fala e postura que tivemos…

    A vida sempre impõe seu ritmo. Essa voluntariosa…

    Responder

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