Liberté – (à Fuga nº 2)

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Das primeiras impressões de sonhos há sempre ditados que dizem demais em realidade. Em uma maldita iminência indesejada, há tempos se fazem surdos os sentidos e às vezes mudos. Aquela velha sensação de andar em círculos quando se vê “quadrados”.  Tal qual um quadrado onde os quatros lados pareçam ser dois. Mas talvez só…  pareçam.

Lembro-me dos meus oito anos de férias passadas na Super  8 da memória, onde o mar era o maior dos abrigos meus, o maior dos castelos, mesmo com os gigantes de areia que insistiam em trazer a gente para a Terra – Gente insolente, esse tipo! Mas eram nos braços dos cabelos longos da mãe branca onde eu jogava as minhas preocupações.  Ainda hoje sinto que as ondas têm o poder de leva-los e insistentemente trazê-los de volta nas mesmas proporções.

E nem tudo é mais como aos 8 anos.

Freud, Nietzsche e Chico Buarque já descansam na estante há algum tempo. Na verdade, foram eles que desistiram de entender o que eu procurava naquelas páginas. De toda forma, eles também sabem ser chatos, não sou a única. Descobri também que nem o Kafka responde à tudo e não se encontra tamanha “imperfeição” da maneira que procuramos.

Eu percorria nas casas das lembranças o motivo que me fazia caçar cantos e encantos no lugar de pessoas. Tudo o que descobri  é que a infância é a idade mais certa e que infelizmente o que ainda resta é o gozo do sorriso no canto da boca que vem de lá até mesmo ao lembrar da pior chinelada que ainda dói naquele canto. Até o choro era mais doce.

Então eu volto ao mar e ao poder do esquecimento, o qual ainda a ciência perdura fiel a suas noites de busca, para satisfazer aos desejos dos humanos inquietos. Nem a brisa no rosto ameniza essas ideias, somos xucros não dominadores das próprias mentes, pois de outras máquinas advém importâncias maiores.

Acredito que um dia as ondas carreguem algo sem trazer de volta e que nem sereias, nem bagres e nem as flores de Iemanjá seriam de contrário acordo. Em alguns casos de “Recurso Especial”.

Mas então decidi comprar um barco para ir muito mais além. Dessa vez um barco à motor da mais alta potência, para poder  ir mais além onde nem as ondas chegariam.

Porque remar contra a maré um dia cansa.

“(…)A vontade de fugir, então siga por ali
Vire aquela esquina e vamos partir.(…)”

Nada será como antes

(Em homenagem à “Fuga nº 1: http://www.youtube.com/watch?v=2hlgcm0AVfo)

*Leli

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